A curva de depreciação de acabamentos de luxo e o momento ideal para a renovação de ativos

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Entrei em um apartamento no bairro dos Jardins, em São Paulo, que estava parado há exatos sete anos. O proprietário me chamou porque não conseguia fechar o aluguel, mesmo pedindo um valor abaixo da média da rua. Quando abri a porta, vi o clássico erro de quem acredita que “luxo é eterno”. O piso de mármore crema marfil, que um dia foi o ápice da sofisticação, estava opaco e com manchas de vinho, a marcenaria laqueada apresentava um amarelado sutil nas bordas e a iluminação, antes o estado da arte em automação, parecia um conjunto de eletrônicos obsoletos e confusos.

O mercado de alto padrão tem uma armadilha silenciosa: a depreciação estética dos acabamentos. Diferente de um imóvel padrão, onde a estrutura dita o valor, no segmento de luxo, o ativo é percebido pelo seu estado de conservação e pela contemporaneidade do design.

O ciclo de vida dos materiais de alto padrão

Dificilmente um acabamento de luxo mantém seu brilho original por mais de uma década. O granito, o mármore e a madeira nobre sofrem com a oxidação, a umidade e o próprio uso cotidiano. No caso do apartamento que visitei, a curva de depreciação começou a acelerar no quinto ano. Por quê? Porque o comprador ou inquilino que paga alto por um imóvel espera uma experiência sensorial impecável. Quando a pedra perde o polimento ou a laca perde o brilho espelhado, o imóvel deixa de ser um “ativo de prestígio” para se tornar um “imóvel que precisa de reforma”.

Essa transição é o momento crítico para o investidor. Se você espera demais, o custo da atualização – o famoso retrofit – acaba sendo muito maior, pois exige a troca completa do material em vez de apenas uma revitalização de superfície. É aqui que muitos perdem dinheiro: ignoram a manutenção preventiva de pedras naturais e acabamentos metálicos, deixando o ativo desvalorizar até que o mercado não pague mais o prêmio pela exclusividade.